A digitalização dos produtos vem aí. Ou melhor, já está entre nós.

A passagem do mundo analógico para o digital já está aí. A face mais conhecida dessa transição pode ser um smartphone em suas mãos ou uma conta em Facebook, só que a chamada digitalização dos produtos vai muito mais além. Estão se integrando a estratégias digitais mais amplas, conectando-se diretamente com os fabricantes, permitindo que os produtos recolham e transmitam dados diretamente para as empresas sobre a performance ou utilização deles.

Um dos principais benefícios é que essa comunicação promove informações mais exatas a partir dos contextos de utilização dos produtos. Na outra ponta, as empresas ou fabricantes podem analisar esses dados, o que permite fazer alterações online da performance. Além disso, a análise dos dados pode direcionar novas estratégias de vendas, por exemplo. É a chamada digitalização 2.0.

A indústria automotiva já trabalha com carros com centrais digitais e avança na tendência de transmissão online dos dados, via dados de celular. Outra grande promessa há algum tempo é da casa inteligente, cujos sistemas e aparelhos da casa também são conectados aos fabricantes ou empresas aproveitando o caminho em consolidação da internet de alta velocidade, redes Wi Fi e dos dispositivos inteligentes.

No esforço, juntam-se inclusive os atuais produtores de sistemas de software como a Google (Auto Android) e a Apple (Apple CarPlay). Outras empresas do mundo tecnológico também não ficam de fora da corrida, como a Microsoft e a Amazon, que direcionam suas plataformas para também serem as interfaces com os produtos inteligentes principalmente nas casas inteligentes.

Essa capacidade de análise de dados dentro do contexto de utilização é considerada a nova fronteira estratégica das companhias, como discute o artigo “O que vem depois dos produtos inteligentes”, na revista Harvard Business Review.

Para os autores do artigo, a sobrevivência das empresas vai se dar pela sua capacidade de recolher e analisar dados a partir desses contextos de utilização. “A digitalização é a única grande tendência capaz de afetar todas as empresas. Porque desafia as organizações a pensar sobre a captura e a criação de valor e os modos de diferenciação além das dimensões familiares de custo e qualidade.”

Por outro lado, algumas perguntas ainda precisam ser respondidas como a privacidade dos dados e real finalidades deles, ou o que os clientes podem receber de volta ao disponibilizar essas informações. “A demarcação tradicional das indústrias está se desgastando. No entanto, os ecossistemas poderão permitir às organizações manter vários segmentos de interligação e interdependência”, avaliam os autores.

E você, já se vê em um mundo da digitalização 2.0? É, talvez ainda demore um pouco mais a se efetivar mesmo, mas pelo jeito, já está entre nós.

Por Paulo Celestino Filho.

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