Criatividade vende tudo

Os empreendedores da chamada economia criativa encontram nas ideias originais, uso da internet e encontros alternativos a saída para vender

KKiMix reúne produtores alternativos

A criatividade vende tudo –, esta certamente é a frase de efeito de quem busca sair do convencional, e aposta nas suas próprias ideias e na força das redes sociais para divulgar seus produtos e gerar uma nova fonte principal e alternativa de renda. E, neste momento em que só se ouve falar em crise, a estratégia de vendas se consolida com os encontros alternativos, que já se tornou uma constante em Natal, e também servem para compartilhar experiências entre os produtores alternativos.

Estes produtores se inserem na chamada economia criativa, que hoje é considerado um dos pilares da economia mundial e, no qual, calcula-se que movimente cerca de 120 bilhões de reais por ano no Brasil. A economia criativa engloba as mais variadas atividades como arte e design, música e vídeo, gastronomia e moda, e até games. A comunicação também é uma das áreas consideradas nesta nova cadeia produtiva.

Foto: Gustavo DantasA designer de joias Gláucia Rebouças, da Pano de Cigana, é uma artista que utiliza o Instagram como meio de divulgação de suas criações. Ela conta que trabalha com a rede social há quase um ano e avalia que tem um retorno muito positivo mesmo focando as vendas em Natal e região. “As vendas começam na internet, com as postagens na rede, e são concretizadas ao vivo com o atendimento”, conta.

Gláucia também aposta nas feiras alternativas como oportunidade de visibilidade da marca. Esses encontros alternativos têm reunido artesãos, designers, chefs de cozinhas e outros artistas que trazem para o físico suas lojas virtuais.

Um exemplo é a KKi Mix, evento que reuniu vários empreendedores da chamada Economia Criativa no último fim de semana no espaço de uma agência de propaganda. Segundo a organização do evento, nos dois dias de evento, circularam mais de 500 pessoas interessadas em arte, moda, design e gastronomia.

“Participar de eventos como esse, além de divulgar nossa marca e poder entrar em contato direto com o consumidor, cria uma comunidade entre microempreendedores digitais, possibilitando uma troca muito rica de experiência”, conta a publicitária Ana Flávia Lira, à frente da PQPosters. Com a empresa voltada para a criação de pôsteres e produtos decorativos descolados, elas também utilizam o Instagram e o Whatsapp como ferramentas de divulgação e venda dos produtos.


Poder da criatividade

Com mudança marcada para implantar duas novas unidades de sua empresa no exterior, a publicitária Clarissa Medeiros tinha uma missão clara: vender uma casa inteira. Para atingir o objetivo, ela idealizou uma marca e colocou tudo em uma fanpage no Facebook para produtos usados e descolados. Os resultados alcançados impressionaram mais do que o esperado. Em pouco mais de duas semanas, a casa estava praticamente vendida.

kkimix (110)Clarissa credita o sucesso da iniciativa ao poder da economia criativa, que tem no marketing digital uma de suas principais ferramentas de venda. Apesar de ser uma publicitária especializada neste segmento, a efetividade da iniciativa a surpreendeu. A campanha foi ancorada em peças no Facebook e Instagram, e na ideia de um bazar físico, que juntou outros parceiros e se transformou na KKi Mix, cuja divulgação também se deu pelas redes sociais.

“Claro que o desejo era vender o que não iríamos mais usar, mas não imaginava que fosse conseguir vender em tão pouco tempo. Consegui o faturamento em apenas duas semanas que muita loja passa o mês para conseguir. Foi só fazer o que sempre fazemos na KKi: juntar ideia, design e estratégia”, disse.

A economia criativa tem no marketing digital uma de suas principais ferramentas

Segundo analisa a publicitária, o marketing digital hoje é uma realidade principalmente para as empresas concebidas dentro do conceito da economia criativa. “As redes funcionam como verdadeiras vitrines virtuais, divulgando o produto para pessoas interessadas também em produtos criativos. E o mais importante é que os custos de divulgação são reduzidos, mas ao mesmo tempo contam com um amplo poder de alcance e eficiência por se direcionar a públicos específicos construídos ao longo da existência da empresa”, avalia Clarissa.


Valorizando os artistas

A artista Cristiana Dantas já é uma das referências no assunto Economia Criativa no estado. Ela vende seus produtos decorativos pela internet. Apesar de também contar com um ateliê para apresentar suas criações, seu trabalho consegue atingir o país inteiro por meio de um trabalho intenso de divulgação nas redes sociais.

A partir de sua experiência, Cristiana presta uma espécie de consultoria a artesãos do interior do estado com objetivo de promover a inclusão social. Ela criou uma espécie de quiosque itinerante que serve de vitrine ao congregar a produção de pequenos artesãos.

A iniciativa chamou tanta atenção que foi destaque no Prêmio Brasil Criativo, realizado pelo Governo Federal, em disputa com projetos de todo o país. “O objetivo é contribuir para dar vazão a produção deles, ao apresentar o trabalho de forma única e diferenciada, ao mesmo tempo em que agrega um maior valor ao trabalho e valoriza uma futura remuneração”, explica.

Confira as fotos do KKi Mix: http://link.kki.com.br/KKiMix

Criatividade e diversão na KKi Mix

O próximo sábado (17/10) está reservado na KKI Indústria Criativa para muita arte e criatividade, mas fora dos computadores e reuniões de pauta. A agência realiza a KKi MIX, feira que vai reunir produtores criativos em áreas como moda, design, gastronomia e música.

Nesta primeira edição, o KKi MIX tem como objetivo, além de ser um bazar, proporcionar mais um ponto de encontro entre artistas criativos e o público interessado em ver novas ideias aplicadas nos mais variados suportes e produtos dentro da chamada economia criativa.

A diretora da agência, Clarissa Medeiros, explica que o evento foi idealizado a partir da filosofia de produção da própria KKi Indústria Criativa, que busca sempre estar antenada e produzir ideias inovadoras, gerando valor para os produtos produzidos e seus clientes.

“Os artistas convidados são representantes da chamada economia criativa, alguns deles entrando no mercado, outros já consolidados, mas todos com algo em comum que é criatividade e vontade de gerar valor e renda a partir dela. E tudo isto tem muito a ver com a KKi”, disse Clarissa.

A economia criativa já é hoje considerada um dos pilares da economia mundial, e o Brasil é um dos países que se destacam e segue com forte expectativa de crescimento deste segmento produtivo em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). A economia criativa engloba as mais variadas atividades como arte e design, música e vídeo, gastronomia e moda, e até games. A comunicação também é uma das áreas consideradas nesta nova cadeia produtiva.

Programação:
KKi Mix
Quando: 17/10
Onde: Rua Raimundo Chaves, 1904 – Candelária (Ao lado da saída do túnel)
Horário: 15 às 20h
Entrada: Gratuita

Participantes

Moda: Fleur, Pano da Cigana, FunFit
Design: Ventura Pallets, Especiário, Coasters, IlustraLu, Arte em Altares, 31 de Fevereiro – Toy Art, Atelier Vintage Wife, Usados Descolados
Gastronomia: Docencantos, Maguh, Ali – Alimentos Saudáveis, Fuscrepe Natal
Música: DJ Allan César

A digitalização dos produtos vem aí. Ou melhor, já está entre nós.

A passagem do mundo analógico para o digital já está aí. A face mais conhecida dessa transição pode ser um smartphone em suas mãos ou uma conta em Facebook, só que a chamada digitalização dos produtos vai muito mais além. Estão se integrando a estratégias digitais mais amplas, conectando-se diretamente com os fabricantes, permitindo que os produtos recolham e transmitam dados diretamente para as empresas sobre a performance ou utilização deles.

Um dos principais benefícios é que essa comunicação promove informações mais exatas a partir dos contextos de utilização dos produtos. Na outra ponta, as empresas ou fabricantes podem analisar esses dados, o que permite fazer alterações online da performance. Além disso, a análise dos dados pode direcionar novas estratégias de vendas, por exemplo. É a chamada digitalização 2.0.

A indústria automotiva já trabalha com carros com centrais digitais e avança na tendência de transmissão online dos dados, via dados de celular. Outra grande promessa há algum tempo é da casa inteligente, cujos sistemas e aparelhos da casa também são conectados aos fabricantes ou empresas aproveitando o caminho em consolidação da internet de alta velocidade, redes Wi Fi e dos dispositivos inteligentes.

No esforço, juntam-se inclusive os atuais produtores de sistemas de software como a Google (Auto Android) e a Apple (Apple CarPlay). Outras empresas do mundo tecnológico também não ficam de fora da corrida, como a Microsoft e a Amazon, que direcionam suas plataformas para também serem as interfaces com os produtos inteligentes principalmente nas casas inteligentes.

Essa capacidade de análise de dados dentro do contexto de utilização é considerada a nova fronteira estratégica das companhias, como discute o artigo “O que vem depois dos produtos inteligentes”, na revista Harvard Business Review.

Para os autores do artigo, a sobrevivência das empresas vai se dar pela sua capacidade de recolher e analisar dados a partir desses contextos de utilização. “A digitalização é a única grande tendência capaz de afetar todas as empresas. Porque desafia as organizações a pensar sobre a captura e a criação de valor e os modos de diferenciação além das dimensões familiares de custo e qualidade.”

Por outro lado, algumas perguntas ainda precisam ser respondidas como a privacidade dos dados e real finalidades deles, ou o que os clientes podem receber de volta ao disponibilizar essas informações. “A demarcação tradicional das indústrias está se desgastando. No entanto, os ecossistemas poderão permitir às organizações manter vários segmentos de interligação e interdependência”, avaliam os autores.

E você, já se vê em um mundo da digitalização 2.0? É, talvez ainda demore um pouco mais a se efetivar mesmo, mas pelo jeito, já está entre nós.

Por Paulo Celestino Filho.